
A Monocultura e a sua estética em terras onde o bioma destruído é o mais rico em todo o mundo.
A natureza
do homen

A beleza da destruição
A expansão da monocultura de eucalipto no norte de Minas Gerais é confrontar um modelo de desenvolvimento que se apresenta como questionável.
as fotos nascem da observação do território como campo de tensão. Ao percorrer extensas áreas de plantio, a questão não é apenas a presença da árvore, mas a lógica que sustenta sua repetição. A paisagem deixa de ser uma das maiores biodiversidades do mundo e passa a ser sistema.
Nas cidades que orbitam essa economia, a promessa de progresso convive com a exaustão do solo, a escassez hídrica e o deslocamento de pequenos agricultores. O que se infiltra na imagem é esse contraste, a ponta visível de um processo maior.
Registro fotográfico. Minas Gerais, 2014
monocultura.
A fotografia assume uma postura de insistência. Ao repetir enquadramentos, texturas e padrões, revela aquilo que o hábito tende a normalizar.
Troncos alinhados, terra ressequida, marcas de corte. Uma imagem que não grita mas expõe.



A repetição torna-se linguagem visual e argumento. O que retorna nas fotografias é o mesmo gesto que estrutura o território: uniformidade, padronização, exaustão.


O portal para deserto
Entre a margem da terra e a produção de combustíveis fósseis, instala-se uma paisagem de transição. O portal não é abrupto, ele se constrói na repetição constante do mesmo modelo.
A presença de dados objetivos, a extensão das áreas plantadas, impactos ambientais registrados, índices de deslocamento rural, podem ampliar a dimensão crítica destes registros, sem substituir a força simbólica das imagens.
O deserto não é apenas geográfico. É também o resultado acumulado de escolhas.

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