
Lu não é apenas um ensaio, muito longe disso. São várias histórias numa mesma mulher…
Este trabalho foi desenvolvido em conjunto com a fotógrafa, pesquisadora e professora Lidiane Silva
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Lu

Lu
Alguém que é intensidade contida.
O ensaio nasceu no Dia Internacional da Mulher não como celebração em clichê, mas como gesto de escuta. A imagem de Lu torna-se espaço para reflexão sobre a forma de encarar a vida, atravessada por memória, cidade e experiência.
Não se trata de definir quem é LU e sim de reconhecer a complexidade de sua presença.
ensaio fotográfico, Minas Gerais, 2019
uma história sobre a vida
Seu tempo é curto. Já prestou vestibular, passou, mas os horários do dia não eram suficientes. Seu tempo é sempre ritmado.
Em casa ao voltar, recolhe o material que será vendido e revertido em medicamentos para a mãe e a irmã. A personagem não se casou, mas cuida dos sobrinhos e é o centro familiar.



Entre a cidade em preto e branco e os retratos iluminados, instala-se uma tensão.
A travessia urbana, os trabalhos, o deslocamento noturno revelam uma dimensão concreta da vida. O retrato revela pausa, interioridade, silêncio. Não são opostos mas camadas.
O contraste não fragmenta, ele amplia.
LU transita entre esses mundos sem perder coerência e este ensaio acompanha essa passagem.



Identidade como multiplicidade
Este ensaio recusa a simplificação. Ser mulher e ser mulher negra implica atravessar estruturas históricas, expectativas sociais e olhares que tentam enquadrar.
Aqui, o retrato restitui. A câmera não busca “exotificar” nem monumentalizar. Busca reconhecer. Cada gesto, cada textura, cada expressão participa de uma narrativa que não é ornamental, mas existencial.
Às 2h da madrugada chega em casa, arruma as coisas, se limpa. Às 6h da manhã está em pé para ir trabalhar no seu emprego público.





Elegância e afirmação
Elegância que emerge nas imagens não é estética vazia.
É postura. É a construção consciente da própria imagem como afirmação de autonomia.
No Dia da Mulher, a homenagem não está na idealização, mas na escuta, na reflexão.
LU na sua singularidade representa muitas.
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