
Onde o tempo desacelera
Há instantes em que o tempo deixa de avançar.
Diante da água em movimento contínuo, instala-se uma espécie de suspensão. Não um silêncio absoluto, mas uma escuta ampliada. O mar que não interrompe o mundo, o desacelera.
Este ensaio nasce dessa pausa.
o
mar

Contemplação e a presença
As imagens não procuram narrar uma história, elas só permanecem.
A aproximação do detalhe, a espuma que se forma e se desfaz, a areia úmida, o horizonte rarefeito dissolve a necessidade de explicação. Ao perder a dimensão total do espaço, ganha-se uma espécie de intensidade.
Estar ali torna-se suficiente.
ensaio, BA-ES, 2018-2024
instante como plenitude.
No fluxo constante da água, cada segundo parece conter o todo.
A fotografia fixa aquilo que o movimento imediatamente levaria embora. Mas, ao fixar, não aprisiona, apenas revela o intervalo entre o avanço e o recuo.
É nesse intervalo que o tempo parece parar.



É nesta travessia que vertem algo que me falta palavras, mas que de alguma maneira é possível de tocar


O que não precisa de palavra
Há experiências que não se traduzem.
Elas não se organizam em discurso, mas em sensação. O som das águas, neste ensaio, não funciona como metáfora mas como uma presença sensível que atravessa a imagem e alcança as vê.
Estar ali é tudo o que importa.



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